Acredite na cenoura

Minha mãe tinha a doença de vitiligo em várias partes do seu corpo. Desde sua infância fez inúmeros tratamentos do qual teve sequelas para sua vida. Sentiu dor, preconceito, sentiu-se mal com algo que não conhecia bem.
Ver seu corpo manchado por algo que não sai simplesmente se lavando ou administrando remédios, deveria ser um suplício.
Mas o tempo mostrou razões para o surgimento dessa doença. A razão certa era psicológica. Regado as frustrações de uma infância cheia de momentos ruins devido as atitudes de uma figura paterna rude e de uma figura materna submissa aos preceitos de um marido dominador que acreditava que o sofrimento era a maneira de ensinar. Isso marcou muito a mente de uma mulher que no futuro viria se mostrar alguém totalmente diferente daquilo que fora criada, deixando de ser apenas um objeto manipulável para ser um humano dotado de sentimento e de vida.
Uma mulher batalhadora, mãe, professora e mestra, acreditou numa coisa tão simples para sua vida e batalhou com sua fé para atingir um objetivo que antes era tido como impossível.
Como sabemos, até mesmo o cantor Michael Jackson (in memorian) que teve a mesma doença, não conseguiu amenizar e se deixou tomar por completo sofrendo os riscos de adquirir outra doença, como um câncer de pele, devido o vitiligo.
Lembro que numa sexta-feira, que era costume de assistir ao Globo Repórter, na circunstancia falava de doenças que eram controladas pela administração de plantas medicinais. O tubérculo alaranjado, de aroma marcante de terra e sabor adocicado, proibido para diabéticos devido seu alto teor de açucares, a cenoura, possuía uma vitamina responsável pela fabricação do pigmento, a melanina, responsável pela coloração da pele.
Ela acreditou piamente que poderia curar seu vitiligo usando cenoura. Bem, lembro que esse tubérculo tomou conta do cardápio do almoço por um bom tempo. Era cenoura feita de todas as maneiras, de salgado a doce. Sucos, saladas, bolos. A cenoura fez presença no meu prato durante muitos anos.
Mas o interessante é, que talvez mesmo não tendo veracidade pela ciência que a cenoura pudesse fazer algo assim, ela certamente ajudou muito no que eu considero quase uma cura. Minha mãe tinha manchas e várias partes do corpo, mas no seu ultimo ano de vida, apenas as pontas de seus dedos das mãos tinha ainda uma leve presença esbranquiçada da aparência da doença que mais afetava o psicológico do que o físico.
Ela apenas acreditou que fosse possível alcançar a “cura” através da administração dessa planta nutritiva, mas também se alimentou de fé quando acreditou em algo que nem mesmo tinha a aprovação da ciência como nós conhecemos.
Seu sonho foi realizado através de algo muito simples: ela acreditou na cenoura.

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