Tempo
Eu não costumava acreditar que pudesse gostar de alguém desde o começo, desde o primeiro encontro, desde o momento em que apenas seria um mero acaso de conhecer. Mas hoje eu acredito profundamente nisso.
Seria cedo ou tarde para amar? Certa vez conheci uma pessoa que simplesmente discursou sobre amar a primeira vista. Na época eu apenas ouvi sem dar muita atenção. Ele faleceu pouco tempo depois.
Então suas palavras fizeram sentido. No começo é bem difícil de acreditar que isso seria possível, mas até o corpo mostra sinais que sente falta, o coração palpita, dói, o pensamento sempre rodeia a pessoa em questão, mudamos atitudes sensíveis, transformamos a rotina, desejamos mais da presença dela. Até poderia ser questionado como carência ou confusão, mas não, são os sintomas mais típicos de quem está gostando.
Não precisa muitas vezes de explicações, pois se existe razões para amar, o amor já é a própria explicação lógica de tudo.
Mas tudo isso seria possível quando vertemos nossas ações para buscar a intensidade da felicidade do outro. Fazer coisas que nem imaginávamos fazer, sentir ciúmes. Isso é normal para quem gosta do fundo do próprio coração. Escancara as portas do sentimento, abre seu infinito particular, rasga sua alma, revela seus segredos, expõe sua vida tão intensamente que se perde na confusão provocada pela explosão dessa realidade que é o amor.
Mas seria necessário tempo para dizer que ama? Seria cedo para admitir? Quais medos cercam nossa alma e nos atribulam a ponto de permitirmos que simplesmente passe despercebido ou abandonado esse momento único que pode repetir diversas vezes na vida de qualquer pessoa?
Hoje eu compreendo que devemos amar desde o primeiro momento. Independente de qualquer coisa. Sofrimento? Ninguém está livre de vivenciá-lo. É a melhor escola que a vida tem.
Mas o tempo é necessário para mostrar ao amor que nunca deverá perdê-lo por medo de admitir ou de sofrer. O tempo e o amor são provas de fogo a todo instante. É como dizer: eu gosto de você desde a primeira vez!

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