Pequenos Milagres



“Muitas noites nós oramos, sem provas de que alguém poderia ouvir
Em nossos corações uma canção de esperança, nós mal podíamos entender
Agora não temos medo,embora saibamos que há muito o que temer
Nós já movíamos montanhas, antes de saber que podíamos”
Lembro da época que eu era seminarista e fiz a primeira homilia na minha cidade natal. Era a décima sétima semana do tempo comum e no dia a leitura do evangelho era do milagre dos peixes feito por Jesus. Para mim era muito claro o significado do texto, mas como de costume, a homilética não permitia que simplificasse tanto o texto a ponto de deixá-lo tão humano.
Mas nunca deixei de pensar de como o significado pesava tanto sempre que via pequenos milagres do cotidiano acontecer a minha volta. E nem preciso exemplificar, pois a luta diária nos mostra os milagres que fazemos para sobreviver em meio a tanta confusão que está esse mundo.
O evangelho dizia do milagre realizado por Cristo com alguns pães e peixes trazidos por um menino que seguia a multidão. Nós primeiramente olhamos o milagre em si, mas esquecemos das condições que existiram para isso acontecer. Grosso modo, Cristo poderia ter feito o milagre de qualquer forma ou utilizado outros elementos para alimentar uma multidão faminta. Mas usar daquilo que estava com uma criança não foi inédito e nem inesperado.
Coloquemos nossa atenção na criança. Antes de a multidão chegar às margens do rio, o que será que ela fazia? Por que estaria com um cesto com peixes e pães? Para este fato tornar-se realidade, é necessário pensar que deveria ter pescado, usado seus talentos para caçar seu alimento. Assim penso que seria trabalhar, acordar cedo, batalhar e voltar com os frutos do seu trabalho. Ali Cristo usou dos talentos de uma criança ou daqueles que estiveram envolvidos com ela, assim como a pessoa que fez os pães também, para alimentar uma multidão. Se desse milagre pensássemos numa rede, logo resultaríamos que de um talento, outros podem surgir e assim tornarem-se ofícios.
O milagre que operamos no cotidiano é com nossos talentos, nossas batalhas, nossos esforços para construir uma rede que nem mesmo vemos final ou talvez nem exista. Tudo que fazemos reflete em algum lugar. É como um pequeno movimento do meio do mar calmo que terá se transformado em grande força para bater em uma encosta ou na praia onde for visitar.
                “Nós já movíamos montanhas antes mesmos de saber que podíamos”. Assim permanece uma pequena elucidação referente ao milagre que operamos todos os dias, mas que muitas vezes perdemos o significado por achamos tão simplista.

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