Renúncia


Fazer renúncias não é fácil. Desistir não é bem assimilado pelo coração. Não importa qual seja o objeto da renúncia. Mas é uma característica dos mais simples e também uma prova de fogo.
O sentimento de "posse" é inerente ao homem e a sociedade em geral. Batalhamos a vida toda para conquistar diversas coisas que podem ser dos mais comuns aos mais complexos. Se conquistar não é fácil, mais difícil é renunciar.
Não foi a primeira vez que fui questionado sobre o ato de renunciar. A pergunta também foi idêntica na maioria das vezes. "Você está renunciando? Por quê?"
Certa vez ouvi algo bem interessante: "só quem percebe a diferença entre doação e renúncia, consegue praticar de coração aberto essa atitude". E é verdade, doar é fácil porque é parcial, mas renunciar é total.
A grande questão é que nunca quiseram uma resposta técnica, ainda que eu fosse capaz de formular. Sempre tive facilidade de falar sobre amizade, relacionamentos. Não era os conceitos que adquiri que chamavam a atenção, mas sim a aplicação delas. Minha resposta então.
- Sim, eu consigo renunciar. Ainda que direito meu pelo meu trabalho ficar com aquilo que batalhei para conseguir, tudo na vida tem um tempo e costuma ser bem frágil. Seria muito existencialista o apego material e sempre encarei de forma diferente esse aspecto. Não é o que possuo que me faz enquanto pessoa e me destaca perante a sociedade, mas aquilo que sou e construo.
Uma dependência emocional também necessita de revisão a todo instante. Não significa em hipótese alguma ser auto-suficiente. Já fiz muitas renuncias, mas as mais bonitas foram aquelas que libertaram minhas cadeias por um bem maior. Mesmo que signifique renunciar um sentimento ou o que fosse. Isso me torna o que "sou".

Comentários

  1. Muito belo este breve comentário a respeito de renúncia. Realmente não é muito fácil praticá-la no nosso dia a dia. Confesso que ainda tenho um longo caminho a percorrer antes de me sentir pronto pra isso. Mas a grande verdade é que precisamos disso. E porque não dizer que fazemos isso constantemente? A verdade talvez seja que o sofrimento é opcional, mas a renúncia obrigatória. Sempre estamos "perdendo" algo e "ganhando" algo na presente existência.

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  2. Se fosse refletir amplamente sobre renúncias... Diria que é a Não-existência, se for para sofrer o ardor da alma, é melhorAmigo, você me incentiva a mudar de planeta... Ou ainda, a permanecer e enfrentar o existencialismo...

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  3. Renúnciar se dá pelo necessidade de ganhar. Tenho certeza disso. Ninguém renuncia algo pelo simples fato de fazê-lo, mas sim por uma perspectiva de ter ou precisar fazer. Em sua maioria, para ganhar algo bom, interromper algo ruim ou evitar a dor. Penso que há muita coerência em teu refletir, mas em tudo na vida há no minímo duas opções. Quando se escolhe uma, têm-se em mente, ser a melhor saída!.

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