Vocação e Fé

Dedico esse texto ao meu amigo e irmão no sacerdócio, Diácono Carlos Henrique.




“Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.”
Lucas 9: 62

Turma de 2001 – Seminário Diocesano Nossa Senhora das Dores – Campanha / MG – 28 de janeiro, Festa de São Tomás de Aquino.
Dia mais que especial. Era 10 horas da manhã, casa aberta recebendo os vocacionados e novos seminaristas da Diocese da Campanha. Muitas famílias levavam seus filhos para entregar na proteção da Mãe das Dores, estes que sentiram no coração um chamado profundo para cultivar sementes no Reino de Deus. Ali começava a jornada de fé, de escolha, de luta, superação, conhecimento do trabalho sacerdotal e da entrega ao pastoreio. 
11 horas da manhã. Capela preparada para a celebração de recepção e da resposta ao chamado. Pe. Roberto, na época reitor do seminário, em nome da Diocese e de seu Bispo, inicia a cerimônia onde aqueles que estavam preparados para testar sua vocação, responderia: “O Senhor me chamou, aqui estou.”
Lembrar desse momento é trazer do fundo do coração uma lembrança doce. Foi um ano de muitas expectativas. Todos jovens aprendendo a conviver, a dividir, a trabalhar, experenciando Deus de forma maior. Era uma resposta a vocação, o início da jornada de uma vida, para ser pastor de ovelhas, médico de almas, caminho para Deus. Ali era o lugar de semear e colher.
Os estudos preparatórios seriam para nós, 1 ano terminando o 2° grau, 3 anos, cursando Filosofia e 4 anos cursando Teologia. Após esse período, viriam os momentos do inicio do pastoreio real, onde sairíamos do aprendizado e começaríamos a ensinar. Recebiam as Ordens Sacras, depois viriam o Diaconato e o Sacerdócio.
Na formatura da turma, utilizamos o versículo de Lucas 9:52 como lema. Não seria fácil seguir. Mas aqueles que seguiram, encontraram hoje, no serviço do sacerdócio sua realização e aqueles que saíram do caminho e não abandonaram a semeadura, hoje trabalham para Deus de forma diferente. Não são indignos, pois é Deus quem dignifica o seus.
Eu sai do caminho no ano de 2003. Tinha outros projetos. Hoje, 23 de outubro de 2009, acabo de chegar ao escritório onde trabalho em Belo Horizonte, recebo uma carta contendo um convite de formatura. E o lema:
“O Senhor abriu-me os ouvidos; Não lhe resisti nem voltei atrás.”
Isaias 50,5

Minha felicidade foi imensa. Eu entreguei minha vocação a Deus e compreendo que no momento certo, Ele saberá o que fazer com ela. Mas ver um colega de seminário, um amigo, um irmão no sacerdócio, receber os frutos da caminhada é como realizar o meu sonho.
Vocação é um chamado que não conseguimos questionar. É mais que paixão por alguma coisa. É realização de vida. Encontrar felicidade naquilo que faz, é sentir-se preparado a enfrentar qualquer coisa por aquilo que acredita. Porém, nem sempre podemos realizar inteiramente esse projeto. Determinados caminhos nos colocam em determinadas posições de escolhas que podem modificar tudo, mas que não significa que seremos infelizes em outras escolhas. Deus sabe o que move o coração do homem para realizar seus sonhos. E neles, Deus navega remanso e com norte.
A este meu amigo, irmão no sacerdócio, desejo e rogo copiosas bênçãos e a proteção insuperável das mãos divinas daquele que irá pregar levar o nome estampado na alma e no coração onde quer que vá, a exemplo dos alvos e singelos servos do Pai.
Nele, muitos encontraram a alegria e realização assim como exponho nesse momento o gozo profundo que encontra meu coração.
Que a exemplo do servo sofredor, tema continuo do tempo quaresmal que encontra na ressurreição do Cristo, a vitória da vida sobre a morte; exemplo daqueles que perseguem seus sonhos acima de qualquer fronteira para alcançar o horizonte celeste; daqueles que unem seus sonhos, suas escolhas e fundem no labor cotidiano, tendo a felicidade por companheira, Deus por testemunha, e o rendimento de seu trabalho como glória de sua luta; sigamos enfrente, sempre, com vigor e coragem e acima de tudo, com FÉ, este que resume em si todo ato heróico que uma pessoa pode possuir dentro de si. Seja no que for ou em quem for.

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