Pelo medo de perder

Muitas escolhas que fazemos são reflexos daquilo que vivemos em particular e nunca em grupo. É muito fácil tomar partido de nossos sentimentos quando nos sentimos feridos ou provocados por alguma coisa. O difícil é tornar o medo que invade nossos corações em momentos propícios de transformação interior, dado as vicissitudes diárias.
Lutamos muito por tudo. Em nossos trabalhos, em nossas casas com nossas famílias, com nossos amigos e até mesmo com quem nem mesmo conhecemos tão bem.
Insisto sempre na realidade do conhecimento, pois lembra Sócrates que “conhecer a si mesmo” é de extrema importância e assim construímos um mundo regado pela razão e também pela emoção de sentirmos parte da realidade que caminha para algum lugar ainda desconhecido, mas revelado pela fé de cada indivíduo.
Porém, nesse campo de batalha que freqüentamos a cada amanhecer e anoitecer de nossas vidas, lidamos com quatro gigantes da alma que são o “medo”, a “ira”, o “amor” e o “dever”. Forças intrínsecas resultantes em nossas escolhas e vivências.
Sentimos medo constantemente, escolhemos ira em diversos momentos, esperamos o amor e comprometemos com tudo.
Irei ater-me no primeiro e maior deles, o gigante negro, o medo, mas no aspecto da perda. Tememos sempre a perda, seja de coisas importantes dos nossos ofícios ou mesmo refletidos no sentimento. O apego, seja material ou emocional é natural e um pouco desejável. Porém o apego constante torna-se prejudicial ou vicioso. É comparado a uma cadeia.
Ao mesmo tempo em que apegar também significa cuidar ou zelar, significa sufocar, prender, tirar a liberdade e nessa realidade negativa, deixar de viver intensamente para temer o que está vindo pela frente como uma idéia de fim.
Voltando a uma idéia de autoconhecimento proposta pelas psicologias espalhadas pelo mundo ou os diversos livros de auto-ajuda, nota-se que o maior mal que vivemos, depois de tantos outros já oferecidos pela mídia e diversos doutores em “Plantão Saúde”, seja o temor, o medo de não levar nada consigo.
Na cultura egípcia, era comum enterrar os mortos com seus pertences acreditando que onde quer que seus espíritos vagassem, seus pertences materiais e mesmo pessoas, seguiriam na jornada ou a sua reencarnação.
Mas hoje, perante tantos estudos sobre o espírito humano, tantas pesquisas sobre o funcionamento da mente, e sobre a postura social, é comum depararmos com o fantasma do medo tornando-se presença palpável nas nossas ações. É certo que temos necessidades e elas se transformam em demandas e desejos tomados pelo comércio e explorados de forma muitas vezes, opressiva e humilhante.
A solução: está em fase de pesquisa nos tubos de ensaio de algum laboratório metafísico debaixo do iceberg de conhecimentos já explorados pelos nossos livres pensadores. E ainda esperamos encontrar no magnetismo, numa pseudo auto-iluminação religiosa, ou em remédios que suprimem certas sensações e necessidades a cura para o gigante negro que forma a teia do complexo gênese humano.
Ou seja, não tem se não começar por onde foi abandonado. Certamente ficou bem científico as palavras e colocações aqui apresentadas, mas quem sabe pela insistência que martelamos o ferro para adquirir a forma que imaginarmos, seja também repetindo diversas vezes que escolhas são necessárias em todos o momentos ainda que exista o medo.
Apegar ou não, pode ser uma conseqüência somente, mas não é um destino traçado. E que perder faz parte de adquirir.
Comentários
Postar um comentário